Ansiedade Eleitoral: 7 Práticas Simples para Proteger Sua Mente (e Sua Família) Até o 2º Turno

Pessoa respirando com calma perto da janela durante período eleitoral

Você abre o celular e lá está: mais uma notificação do grupo da família, mais um vídeo inflamado, mais uma pesquisa dizendo uma coisa e outra pesquisa dizendo o contrário. O coração acelera, o maxilar trava, e quando você percebe já passou uma hora rolando a tela. Se isso soa familiar, saiba: você não está sozinho, e não há nada de errado com você.

O Brasil vive a reta final de um segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, em um clima de forte polarização. E isso acontece num momento em que a saúde mental já é a principal preocupação de saúde do brasileiro: segundo o Monitor da Saúde 2026 da Ipsos, divulgado em outubro, 58% dos brasileiros apontam a saúde mental entre os maiores problemas de saúde do país — seis pontos a mais que no ano anterior. Dados do INSS mostram ainda que, em 2025, foram concedidos 166.489 benefícios por transtornos de ansiedade.

Este artigo não é sobre em quem votar. É sobre como atravessar os próximos dias com o corpo, a mente e os seus vínculos inteiros — seja qual for o seu voto.

O que é a "ansiedade eleitoral"?

Não é um diagnóstico médico, e sim um nome popular para um conjunto de sensações que muita gente sente em períodos de eleição: preocupação constante com o resultado, dificuldade para dormir, irritação, sensação de ameaça e vontade de checar notícias o tempo todo. Do ponto de vista do corpo, faz sentido: quando percebemos um conflito ou uma incerteza importante, o sistema nervoso entra em modo de alerta — a famosa resposta de "luta ou fuga". O problema é quando esse alarme não desliga nunca, porque o celular continua entregando novos motivos para ele tocar.

A boa notícia: você pode ensinar o seu corpo a sair do modo alerta, mesmo sem controlar o que acontece lá fora.

1. Defina horários para notícias (e respeite)

Escolha dois momentos do dia — por exemplo, 15 minutos no almoço e 15 minutos no início da noite — para se informar. Fora deles, nada de feed político. Informação de qualidade cabe em pouco tempo; o que consome horas é a repetição e a indignação. Prefira veículos confiáveis e fuja de vídeos cortados e áudios sem origem.

2. Silencie, não abandone, o grupo da família

Você não precisa sair do grupo e criar um climão. Basta silenciar as notificações até depois da eleição e entrar quando quiser, por escolha própria. Se possível, combine com alguém da família de manter um grupo paralelo só para fotos, receitas e assuntos leves. Proteger o vínculo é diferente de concordar com tudo.

3. Use a respiração para avisar o corpo que está tudo bem

Quando sentir o peito apertar depois de uma discussão ou notícia, experimente expirar mais longo do que inspira: inspire contando até 4 e solte o ar devagar contando até 6 ou 8. Repita por um ou dois minutos. Expirações longas são uma das formas mais simples de sinalizar segurança ao sistema nervoso e ajudar a desacelerar.

4. Tenha uma frase pronta para conversas difíceis

Boa parte da ansiedade vem do medo de ser pego de surpresa num almoço ou numa conversa. Deixe uma frase preparada, como: "Eu respeito sua opinião e prefiro não falar de política agora. Me conta como foi sua semana?". Ela encerra o assunto sem atacar ninguém. Você não precisa vencer todo debate — precisa preservar a sua paz.

5. Proteja o seu sono como prioridade

Nada de notícias de política na cama. Deixe o celular longe pelo menos 30 minutos antes de dormir e troque a rolagem por leitura leve, banho morno ou alongamento. Um corpo descansado reage com muito mais equilíbrio aos gatilhos do dia seguinte.

6. Gaste a energia do alerta no corpo

A resposta de estresse prepara você para se mover. Então, mova-se: uma caminhada de 20 minutos, dançar uma música, subir escadas, alongar. Movimento ajuda a descarregar a tensão acumulada e melhora o humor. Contato com a natureza, sol da manhã e pés no chão também ajudam a voltar para o presente.

7. Volte para o que está no seu controle

O resultado da eleição não está nas suas mãos — mas o seu voto consciente, a sua forma de tratar as pessoas e a sua rotina estão. Faça uma lista com duas colunas: "posso controlar" e "não posso controlar". Coloque sua energia apenas na primeira. Essa simples mudança de foco reduz a sensação de impotência que alimenta a ansiedade.

E no dia do resultado?

Planeje a noite de 25 de outubro com antecedência: com quem você vai estar, se vai acompanhar a apuração ao vivo ou apenas ver o resultado final, e o que vai fazer depois. Seja qual for o desfecho, lembre-se de que metade das pessoas ao seu redor pode estar sentindo o oposto de você. Gentileza nesse momento é uma escolha poderosa — com os outros e com você mesmo.

Quando buscar ajuda

Se a ansiedade estiver atrapalhando seu sono, seu trabalho ou suas relações por vários dias seguidos, ou se vier acompanhada de crises de pânico, procure um profissional de saúde. Pelo SUS, a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. E se você estiver passando por um momento difícil e precisar conversar, o CVV oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia.

Conclusão

Eleições passam; o seu corpo, a sua mente e a sua família ficam. Você pode se importar profundamente com o futuro do país e, ao mesmo tempo, cuidar de si. Escolha hoje uma das sete práticas acima e comece por ela. Pequenos gestos diários são o que devolvem o equilíbrio — em época de eleição e em qualquer outra.

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